.

Obesidade, saiba tudo sobre essa epidemia!

Obesidade, saiba tudo sobre essa epidemia! BH

Você se considera gordinho (a) ou é obeso (a)? Desvende as complicações da ‘epidemia mundial’ de sobrepeso e obesidade!

Se engana quem pensa que os gordinhos não emagrecem porque são gulosos e preguiçosos. A obesidade é uma condição complexa que envolve muitos outros fatores além desses dois ‘pecados capitais’.

Não é à toa que ela é uma das maiores preocupações da medicina global. Também, não é para menos, os números assustam: a obesidade afeta uma em cada 10 pessoas no mundo, e quase 2 bilhões estão acima do peso!

Lembra do tempo em que bebês gordinhos eram sinônimo de saúde? Ficou no passado. Hoje, as pessoas estão cada vez mais cientes dos riscos da obesidade, sobretudo na infância. Apesar disso, essa vilã continua assombrando o globo. Descubra porque!

Obesidade

1. Obesidade é doença?

Médicos e cientistas concordam que a obesidade aumenta o risco de várias enfermidades, mas ela pode ser considerada uma patologia? Muita gente ainda acha que a obesidade é revertida apenas com força de vontade, e não é assim que funciona.

A American Medical Association declarou a obesidade como doença em 2013, pois em cada três americanos, um é obeso. Nos Estados Unidos, a obesidade atinge mais de 40% dos adultos e 20% das crianças.

Aqui no Brasil, ainda não há um consenso, mas muitos profissionais estão inclinados a discutir essa abordagem, e vários concordam com a definição.

É o caso da Abeso (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica) que, além de considerar como uma doença, também defende o acesso ao tratamento adequado e diagnóstico precoce da obesidade.

O impacto da ‘epidemia’

Independentemente de ser definida como doença ou não, você há de convir que a obesidade é muito mais que uma preocupação estética, mas sim uma questão de saúde pública. Por isso, alguns profissionais atribuem à ela o status de ‘epidemia’ mundial.

A estimativa da OMS (Organização Mundial de Saúde) é que até 2025, mais de 700 milhões de pessoas estejam obesas e cerca de 2,3 bilhões estarão com sobrepeso. Especialistas acreditam que somente a hereditariedade não justifica essa proporção estratosférica.

Hoje, eles afirmam que esse surto crescente está relacionado ao ambiente, ou seja: aumento da ingestão de açúcar e gorduras saturadas, baixo consumo de fibras e, desde os anos 80, redução da prática de exercícios físicos.

Reunimos os últimos dados divulgados pela OMS, confira:

Obesidade na América Latina

Obesidade no Brasil

Entre os brasileiros, a situação também não está nada favorável. Mais da metade da população está acima do peso ideal, e mais de 20% dos adultos são obesos.

Caso continue aumentando, a previsão é que, em menos de uma década, o Brasil atinja o mesmo percentual dos EUA, onde quase 40% da população tem sobrepeso e obesidade.

Veja o resumo de alguns dados divulgados:
Obesidade no Brasil
Você viu que a obesidade vem alarmando a população mundial. Continue a leitura para descobrir como esse impacto é justificado.

2. Como obter o diagnóstico de obesidade?

A obesidade é caracterizada pelo acúmulo excessivo de peso e gordura corporal que afeta a saúde do indivíduo, muitas vezes levando a doenças graves como: problemas cardíacos e ortopédicos, hipertensão arterial, diabetes e até câncer!

Já a obesidade mórbida é mais grave ainda, e pode ser confirmada com um resultado de IMC a partir de 40, conforme você verá a seguir.

Cálculo do IMC

O cálculo do IMC (Índice de Massa Corpórea) é relevante para avaliar se a pessoa está dentro do peso ideal conforme a altura, mas não é somente ele que determina a obesidade.

Para se ter uma ideia, alguns atletas podem se encaixar no grupo de Obesidade Grau I devido ao peso maior, ou muita massa muscular e baixa taxa de gordura corporal.

Dessa forma, existem avaliações complementares para diagnosticar a obesidade, como exames laboratoriais (para investigar problemas hormonais, por exemplo), teste de dobras cutâneas, ou equipamentos especiais como a técnica da bioimpedância que mede a composição corporal e emite o percentual exato de gordura.

Confira os intervalos do IMC e suas categorias:

Obesidade Tabela IMC

Tem dúvidas sobre o seu IMC? Calcule aqui.

Histórico

Como ainda não descobriram a ‘pílula mágica’ para emagrecer e manter um peso ideal, o histórico do paciente também pesa muito na avaliação médica.

Geralmente, as pessoas que lutam contra a balança sabem que a alimentação saudável aliada aos exercícios físicos são decisivos, tanto para perder peso quanto para manter a saúde.

Em alguns casos de sobrepeso (IMC entre 25,0 e 29,9), a reeducação alimentar e a atividade física diária podem ajudar a emagrecer e reverter os riscos. Mas existem outras condições adversas que podem minar esse objetivo.

Por isso, ao procurar um especialista para eliminar o excesso de peso, é preciso considerar, além do IMC, também o histórico de vida, investigando fatos, tipo:

  • Doenças que provocam o aumento do peso (ex.: hipotireoidismo);
  • Uso de medicamentos engordativos;
  • Estratégias que já adotou para sair do sobrepeso ou obesidade (efeito sanfona);
  • Se tem compulsão alimentar;
  • Se pratica atividade física;
  • E o peso dos pais e parentes próximos.

3. Saiba quais são as causas da obesidade

Conforme mencionado, muitos pontos podem levar à obesidade, portanto, a análise médica é imprescindível para tratar esse problema.

Em alguns casos, a herança familiar pode ser constatada. Em outros, a obesidade é consequência da união sedentarismo + alimentação inadequada.

Quando ligada ao fator genético, a obesidade abrange, inclusive, o público infantil: quando os familiares são obesos, existe a tendência a engordar demasiadamente.

Obesidade Hereditária

Obesidade Infantil

Devido às mudanças no estilo de vida dos últimos 40 anos, as crianças se tornaram mais sedentárias, além de consumir maior quantidade de alimentos prejudiciais.

Outros fatores que interferem no aumento da obesidade infantil são a obesidade na gestação e a diabetes gravitacional. Em ambos os casos, existe predisposição para a criança desenvolver obesidade ou diabetes futura.

E o problema que se inicia tão cedo pode estar longe de acabar! Estudos científicos mostram que uma criança obesa possui 80% de chance de se tornar um adulto obeso (caso não receba o tratamento adequado na infância).

Obesidade Infantil

Assim, fica claro que os hábitos alimentares adquiridos na vida infantil podem servir de base para o comportamento predominante da vida adulta.

Comportamento do público de risco

Entretanto, qualquer pessoa pode ganhar peso e se tornar obesa se consumir mais calorias do que o corpo gasta. Os genes podem ser determinantes na maneira como o corpo armazena energia.

Mas o comportamento também desempenha um papel agravante na obesidade, incluindo alimentação errada e baixa frequência ou ausência de atividade física.

Um adulto ativo, por exemplo, possui várias atividades cotidianas e pode ser desafiador conciliar seu trabalho com a preparação de refeições saudáveis e tempo para se exercitar.

Desajuste emocional

Mas não é só a falta de tempo, sedentarismo e alimentação errada que contribuem para o aumento da obesidade. Pesquisas apontam que as pessoas depressivas, muito estressadas, extremamente ansiosas e que dormem mal também podem ganhar peso facilmente.

Algumas mulheres, por exemplo, podem ter dificuldades em perder o peso que ganharam na gravidez, ou começar a engordar durante a menopausa. Claro que, nesses casos, o descontrole pode ser justificado pelos hormônios.

Mas a ciência enfatiza, cada vez mais, que manter uma mente sã e as emoções sob controle são medidas essenciais para enfrentar as circunstâncias da vida de maneira mais saudável e leve – literalmente.

É válido lembrar que esses pontos isolados não levam, necessariamente, à obesidade, mas podem contribuir para seu início.

4. Entenda as complicações da obesidade

Agora, você pode estar pensando: como o corpo consegue armazenar tanta gordura? 🤔

Ao ingerir um alimento, o organismo absorve energia importante para funcionar. Até em repouso, ele utiliza essa fonte energética para bombear sangue para o coração ou realizar a digestão.

Porém, ao consumir mais calorias do que gasta, o organismo começa a armazenar gordura e acumular reservas cada vez maiores que levam à obesidade ou obesidade mórbida. E não pára por aí, continue lendo para entender os riscos.

Obesidade mata

Somente em 2015, 116.976 brasileiros morreram por doenças provocadas pela obesidade, conforme divulgado pela FAO (Food and Agriculture Organization), agência das Nações Unidas.

Além de causar a morte, ela custa ao SUS cerca de 500 milhões de reais a cada ano. Dentro de alguns anos, o gasto pode chegar a 34 bilhões de dólares em nível mundial.

Isso porque as complicações associadas à obesidade envolvem, praticamente, todos os órgãos vitais. A estimativa aponta que 7 em cada 10 obesos têm pressão alta. Problemas no coração, AVC (Acidente Vascular Cerebral), diabetes tipo 2, câncer e infertilidade também são consequências do peso elevado.

Esse excesso de peso é a raiz do problema e, se não for tratada, pode desenvolver outros distúrbios como: asma grave, osteoartrite, apnéia do sono, esteatose hepática, pancreatite, impotência sexual e incontinência urinária.

Na faixa de obesidade mórbida, a probabilidade de desenvolver diabetes e ataque cardíaco aumenta de 5 a 7 vezes!

Obesidade e Diabetes

Por falar em diabetes, muitas pesquisas relacionam o desajuste nos níveis de glicose com a obesidade. O diabetes é uma doença crônica que afeta mulheres e homens no mundo todo.

Desde a década de 80, o número de registros triplicou, e a maioria dos casos é da diabetes tipo 2, fortemente relacionada à inatividade e também ao peso corporal.

Obesidade e diabetes

Sem o tratamento adequado, a diabetes pode causar AVC, amputação de membros, cegueira e insuficiência renal.

A obesidade e o câncer

Outra preocupação alarmante é a incidência de tumores em pessoas obesas. Atualmente, quase 4% dos casos de câncer registrados no Brasil poderiam ter sido evitados com a redução do peso e da obesidade.

De acordo com os especialistas, o peso elevado estimula a proliferação celular, podendo causar alguns tipos de câncer, entre eles:

  • Câncer de mama: porque o excesso de peso pode alterar a produção de estrogênio;
  • Câncer de próstata: já que a obesidade pode diminuir as taxas de testosterona;
  • Câncer renal: devido ao aumento da pressão arterial;
  • Câncer de esôfago: pois o refluxo é comum em pessoas obesas.

Pesquisadores brasileiros, americanos e franceses publicaram um estudo com outra estimativa nada animadora para quem sofre de gordura em excesso. É que, nos próximos 7 anos, o Brasil tende a registrar quase 30.000 casos de câncer provocados pela obesidade!

Outras consequências

Além de todos os problemas de saúde mencionados, os portadores de obesidade ou obesidade mórbida também enfrentam outras consequências como o comprometimento da mobilidade, opções limitadas de vestuário, preconceito e discriminação social, problemas de relacionamento e até dificuldade para realizar a própria higiene pessoal.

5. ‘Entrar na faca’ é a solução?

Esse artigo apresentou alguns fatos impactantes para demonstrar que a ciência, a medicina e as políticas internacionais estão atentas à ‘epidemia’ de obesidade, e se esforçam em conjunto para queimar o excesso de gordura do mundo!

Inclusive, um dos reflexos é o aumento da procura pela cirurgia bariátrica. Muitas vezes, ela é a solução mais indicada porque demonstra resultados eficientes para conquistar e manter um peso saudável duradouro.

Hoje, o Brasil ocupa o segundo lugar no ranking de países com mais cirurgias bariátricas realizadas de acordo com a SBCBM (Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica). Confira os desdobramentos do ‘surto’ de obesidade por aqui:

  • 2012 – 72.000 cirurgias;
  • 2013 – 80.000 procedimentos;
  • 2014 – 88.000;
  • 2015 – 93.500;
  • 2016 – 100.000 cirurgias.

São quase 30 mil pessoas a mais operadas dentro de apenas 4 anos, um crescimento de 39% na fatia da população que vive com mais amor próprio, contentamento e qualidade de vida potencializada pela transformação física.

Certamente, ‘entrar na faca’ – ou optar por técnicas menos invasivas – não só diminui os riscos, mas pode te livrar, de uma vez por todas, dos prejuízos da obesidade!

A cirurgia bariátrica é autorizada por todos os convênios médicos, desde que o paciente preencha os critérios de indicação para se submeter ao tratamento cirúrgico da obesidade.

Mas é imprescindível marcar uma consulta para obter uma avaliação completa e assertiva. 😉