DOENÇA DO REFLUXO GASTROESOFÁGICO (DRGE)

DOENÇA DO REFLUXO GASTROESOFÁGICO (DRGE)
10 meses atrás

A doença do refluxo gastroesofágico é um distúrbio do trato gastrointestinal com alta prevalência, acometendo fração considerável da população. Estima-se uma prevalência de 10 a 20 % no ocidente e 5% na Ásia.

A azia, também chamada de queimação retro-external ou pirose, representa o principal sintoma. Porém, outros sintomas como sensação de gosto amargo na boca, odinofagia (dor para englolir), disfagia (dificuldade para engolir), hipersalivação, tambem pode estar presentes. Sintomas atípicos da DRGE seriam representados por quadros respiratórios, como tosse crônica, infecções respiratórias de repetição (sinusite, otite, amigdalite, etc), asma refratária ao tratamento clínico, rouquidão. Alguns pacientes podem experimentar episódios de dor torácica de forte intensidade, podendo simular eventos cardiológicos. Outros pacientes podem ser assintomáticos.

Diante de sintomas como os acima mencionados, o diagnóstico de DRGE deve ser considerado. Sendo assim, torna-se importante uma adequada avaliação médica.

E para auxiliar em esclarecer todas as suas dúvidas, leia este conteúdo! Boa leitura!

O que é a Doença do refluxo gastroesofágico (DRGE)?

doença do refluxo gastroesofágico

A doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) é uma afecção do aparelho digestivo na qual observa-se a passagem anômala do conteúdo gastroduodenal (suco gástrico e/ou bile) do estômago para o esôfago, podendo atingir a garganta e as vias respiratórias.

O que causa a doença do refluxo gastroesofágico (DRGE)?

Acompanhe a imagem abaixo:

o que causa a doença do refluxo gastroesofágico

A etiologia da DRGE pode ser considerada multifatorial, observando-se a existência de fatores mecânicos e comportamentais na sua gênese.

Na transição entre o esôfago e o estômago, existe uma estrutura muscular denominada esfíncter esofágico inferior (EEI). Sua função é permitir a passagem do alimento do esôfago para o estômago durante a alimentação. Porém, também deve impedir o refluxo do conteúdo gástrico (suco gástrico e alimento ingerido) durante e após as refeições. A incompetência ou relaxamento excessivo desta estrutura anatômica favorecem o refluxo gastroesofágico.

Várias condições contribuem essa disfunção do EEI:

  • Obesidade;
  • Aumento da pressão intra-abdominal;
  • Hérnias de hiato;
  • Aumento do consumo de álcool;
  • Refeições gordurosas;
  • Tabagismo;
  • Maior consumo de cafeína, chá preto, chá mate, bebidas gasosas;
  • Chocolate;
  • Refeições volumosas antes de deitar-se.
  • Medicamentos específicos como antidepressivos, anti-histamínicos, bloqueadores de cálcio, progesterona, nitratos, análogos incretínicos.

Quais os sintomas da doença do refluxo gastroesofágico?

Como citado acima, os sintomas do refluxo podem se agravar após refeições e principalmente se o paciente estiver deitado.

É importante conhecer os sintomas devido a sua similaridade com várias outras doenças. Os principais sintomas são:

  1. Azia ou queimação;
  2. Regurgitação;
  3. Arrotos (eructação);
  4. Aftas orais ou na garganta;
  5. Pigarro;
  6. Dor torácica, simulando doença cardíaca;
  7. Tosse crônica;
  8. Rouquidão; 
  9. Náuseas e/ou vômitos frequentes;
  10. Piora dos sintomas ao deitar-se;
  11. Sensação de caroço na garganta( globus faríngeo);
  12. Dor ou dificuldade ao engolir (odinofagia/ disfagia).

Em um estudo feito pela Revista Brasileira de Otorrinolaringologia, com 157 pacientes portadores de sintomas de refluxo observou-se que as queixas principais foram:

  • Disfonia ou rouquidão (69,42%);
  • Pigarro (52,86%); 
  • Globus faríngeo (65,60%); 
  • Azia (33,12%);
  • Tosse (18,97%); 
  • Odinofagia (11,46%); 
  • Disfagia (10,82%);
  • Engasgos (2,54%).

Riscos e complicações da doença do refluxo gastroesofágico

A exposição crônica do esôfago e vias aéreas a constante agressão pelo suco gástrico pode ocasionar vários problemas a saúde, sendo alguns dos principais:

  • Inflamação do esôfago (esofagite);
  • Úlceras esofágicas;
  • Estenose esofágica (estreitamento);
  • Infecções respiratórias de repetição (sinusite, otite, amigdalite, pneumonia);
  • Asma refratária ao tratamento clínico;
  • Rouquidão pela lesão de pregas vocais;
  • Dismotilidade esofageana;
  • Esôfago de Barrett ou Metaplasia intestinal esofágica: condição pré-maligna que aumenta o risco de evolução para o adenocarcinoma esofageano (câncer de esôfago);
  • Câncer de esôfago.

Avaliação clínica e exames complementares.

A avaliação clínica cuidadosa e minunciosa, buscado elucidar todos os fatores de risco, etiologia, evolução da doença e possíveis complicações existentes é a primeira etapa na condução de pacientes com DRGE.

Exames complementares que podem ser solicitados são:

  • Endoscopia digestiva alta;
  • REED – Radiografia contrastada de esôfago, estômago e duodeno;
  • pHmetria esofageana de 24 horas: considerada o padrão-ouro no diagnóstico da doença;
  • Manometria esofageana;
  • Cintiligrafia;
  • pH impedanciometria.

Tratamento da doença do refluxo gastroesofágico

tratamento para a doença do refluxo gastroesofágico

A maioria dos pacientes portadores de doença do refluxo gastroesofágico será candidato ao tratamento clínico conservador: uso de medicações antiácidas, medicamentos procinéticos, interrupção do tabagismo, redução do consumo de álcool, evitar refeições volumosas, dormir com cabeceira elevada, etc.

Entretanto, alguns pacientes serão candidatos ao tratamento cirúrgico, quando são refratários ao tratamento clínico ou quando apresentam complicações da doença:

  • Pacientes que mostram-se sintomáticos mesmo com tratamento clínico adequado;
  • Presença de volumosas hérnias hiatais;
  • Presença de esôfago de Barret;
  • Presença de esofagite importante com ou sem ulceração;
  • Presença de dismotilidade esofageana devido a agressão crônica pelo ácido;
  • Devido a complicações pelo uso crônico da medicação;
  • Presença de sintomas atípicos (respiratórios).

O tratamento cirúrgico visa corrigir o defeito anatômico e reforçar o esfíncter esofágico inferior. O procedimento é realizado de forma minimamente invasiva, seja pela videolaparoscopia clássica, seja pela via robótica.

Dr Rodrigo Fabiano Guedes Leite

Cirurgia Geral

Cirurgia Bariátrica e Metabólica

Cirurgia Minamente Invasiva e Robótica